Críticas, Sem categoria

O Efeito System of a Down

Antes de começar a escrever, passei um tempo me perguntando como eu poderia chamar esse texto. Não costumo fazer isso. Quem escreve, sabe que o ideal é deixar o título pro final, mas se tratando de System of a Down, não há problema em inverter um pouco as coisas. Pensei, pensei de novo, parei, voltei a pensar, e lembrei do que um amigo me dissera anos atrás, um dia após a primeira apresentação da banda no Brasil. Esse amigo não havia ido ao show, mas tinha assistido pela TV. A apresentação FOI NO no Rock in Rio 2011, os caras arrebentaram no palco e chamaram atenção de muitos brasileiros, fãs de rock ou não. Esse amigo, em específico, detesta rock.

Bicho, eu num gosto de rock não, mas aquela banda que tocou ontem no Rock in Rio tira onda!”

Essas foram as palavras dele. Ouvindo isso, eu vibrei. Vibrei porque sou fã dos caras e fico feliz em perceber a força que aquele som tem. É por isso que resolvi chamar o texto de O Efeito System of a Down; pois eles são um dos poucos, se não os únicos no rock, que conseguem agradar a gregos e troianos. Mas, como?

Assistindo um vídeo na internet, vi alguém definir o SOAD como “a merda que deu certo”. Como alguém pode chamar essa banda de merda, meu Deus? – pensei -. Então, curioso, apertei o Play. O vídeo pertencia a Nando Moura. O polêmico Nando Moura. Para quem não sabe, Nando é músico, e dos bons. Ele define os caras dessa maneira porque eles procuram os intervalos mais grotescos e inimagináveis na guitarra para criar suas músicas. Há um contraste genial entre a psicose e o lirismo de Daron Malakian, guitarrista da banda, que difere o System das outras bandas de Nu Metal, segundo o Youtuber.

soad 2

Bom, eu sou apaixonado por música, mas não sou músico. Não entendo de questões mais técnicas, mas é perceptível que há algo de diferente no System. O som dos caras é democrático. Consegue alucinar as mais diversas mentes, estejam elas preparadas para o rock ou não.

O rock acabou? Certamente não enquanto houver System of a Down, eu diria.

É muito claro que diversas bandas de rock têm se adaptado ao momento atual da música. Nota-se na mudança de sonoridade de muitas delas no decorrer dos últimos dez anos. SOAD não é a única que se mantém fiel à suas raízes, mas é, de fato, a mais forte dentre elas. Em 24 anos de estrada, é notório que os caras não estão preocupados em se manter na mídia, mas sim com a mensagem que carregam. Os quatro integrantes são descendentes de armênios e lutam, desde o início da banda, pelo reconhecimento do genocídio armênio, na Primeira Grande Guerra. Foi com base nessa luta que eles lançaram, em 2015, a turnê Wake Up The Souls, que contou com um show gratuito na Armênia e duas apresentações no Brasil.

É interessante falar desses shows no Brasil, sobretudo os de 2011, pois eles marcaram não só a estreia dos caras em solos tupiniquins como também sua volta aos palcos. Isto porque o System estava em hiatus desde 2006, ano do último lançamento de um álbum de inéditas. Hoje, completa-se doze anos sem uma música nova e com turnês esporádicas, que se alternam com férias prolongadas e projetos paralelos dos integrantes. Mesmo assim, eles continuam lotando estádios e colocando multidões para cantar sucessos como BYOB, Aerials, War, Toxicity… 

soad 3

Poucas bandas conseguem manter-se tão vivas na mente e nos corações das pessoas, mesmo com uma presença tão singela nas mídias. System of a Down mantém-se no propósito do puro rock n’ roll: não são comerciais, são portadores de uma mensagem e o fazem com maestria.

É gostoso ouvir a explosão vocal do Serj, sentir as batidas raivosas, porém bem compassadas do John, alucinar com os riffs loucamente geniais do Daron e vibrar com o baixo ofegante do Shavo. System of a Down é um tesouro da música mundial e como tal deve ser apreciado, mantido e até estudado, pois o efeito que causa nas pessoas transcende uma relação de estilo, é puramente MUSICAL.

Por fim, deixo-vos com a abertura sensacional de um show que marcou os fãs brasileiros e que marcou um fã em especial, que nunca gostou de ouvir rock, mas que inspirou esse texto:

 

Por Paulo Silva

 

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