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Divulgação Baixa, Qualidade Alta. A Marca da Netflix Revelada em Safe

É fato que o serviço oferecido pela Netflix, em diversos âmbitos, é excepcional. Mas num ponto ou outro, eles deixam a desejar. Por exemplo, as sinopses que eles produzem para os materiais oferecidos são, em suma, horríveis. Boa parte delas não conseguem passar o que é, de fato, cada série ou filme, e, por isso, acabam afastando o público de produções maravilhosas que não têm a devida divulgação.

A série da qual pretendo falar um pouco nessa matéria é uma das que sofrem desse mal. Eu cliquei em “Safe” porque sou maníaco por séries e sei da qualidade que há nos shows que a Netflix lança, mas não divulga tanto.

Em Safe, tudo começa quando Jenny, a filha adolescente do cirurgião Tom Delaney, desaparece após uma festa. A trama em si é um deleite para quem é fã de mistérios. Ela é produto da mente peculiarmente intrigante do didático Harlan Coben.

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Para quem não o conhece, Coben é referência quando se trata de mistérios. Esta, como boa parte de suas obras, inicia-se com um enigma, em seguida ele faz todos os personagens de suspeitos, oferece reviravoltas, algumas até surpreendentes, e muda tudo aos 45 do segundo tempo. Tudo isso restrito à poucos cenários, revelando, aos poucos, um nível de relação grande entre os personagens, por mais improvável que possa parecer. É por isso, inclusive, que o show recebe o nome de Safe, levando em consideração que a maior parte das personas, aqui, vivem num condomínio fechado e, aparentemente, seguro.

A temporada disponibilizada na Netflix contém apenas 8 episódios, o que é muito bom, visto que, se tratando de um seriado de mistério e investigação, ela se torna mais concisa, direta, e cada vez menos cansativa. Como disse acima, de cara somos confrontados com o mistério que dará vida ao seriado e, logo em seguida, tudo começa a se desenrolar como um grande novelo de lã, sem pausas. A cada minuto, um acontecimento novo põe nossa mente para trabalhar e não lhe dá espaço para descanso. O ponto negativo, aqui, é que se o espectador não oferecer total atenção aos episódios, acabará perdendo detalhes importantes e sabemos que uma peça fora do lugar compromete todo o quebra-cabeças.

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O que não ajuda muito é a fotografia. A paleta de cores não desagrada, mas também não marca nada. O famoso “nem fede, nem cheira”. Os episódios são recheados de flashbacks, o que ajuda o público a entender melhor tudo o que tá acontecendo, porém nada difere uma cena no presente de uma no passado. Geralmente, se utiliza uma paleta de cores mais acinzentada para marcar o flashback, mas em Safe, ao que me parece, não há essa preocupação. Dessa mesma forma é a trilha sonora. Não há transição. Não há um diálogo entre trilha, fotografia e trama.

Apesar disso, é possível deleitar-se com as atuações magistrais de Michael C. Hall,  do seriado Dexter, e Amanda Abbington, de Sherlock – nos papéis principais, Tom e Sophie, respectivamente -, que oferecem papéis convincentes e, em algum momentos, emocionantes, além de uma química muito interessante entre os dois.

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O núcleo de coadjuvantes também não fica pra trás, com destaque para Nigel Lindsay, que vive o Jojo Marshall, o qual consegue transitar muito bem entre o drama e uma pitada, muito leve, de alívio cômico.

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Por fim, Safe é uma trama muito bem desenvolvida por alguém que entende do assunto. É mais uma série com o selo Netflix que, apesar de não ter recebido a devida divulgação, merece um pouco mais de atenção.

Nota: 8,5 Estrelas.


Por Paulo Silva.

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