Animes, Cinema, Literatura, Séries

A Falta de Heróis em Histórias de Heróis

Em seus primórdios, o herói sempre foi o personagem principal em histórias de caráter épico. Os heróis gregos, sempre descritos como seres divinos ou quase divinos (Deuses e semideuses), eram personagens cuja moral, ética e o senso de justiça, superavam, ao máximo, a capacidade humana de compreensão e de pôr em prática tais ações. Essas eram as características que tornavam esses seres em Heróis. Eles possuíam consigo tudo aquilo que um humano desejaria: força, determinação, espirito inabalável, senso de dever… Eles eram a representação do bem, Agathós (bom e justo).

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A partir disso, surgiu uma variante do Herói grego divino, criou-se um herói humanizado, um que partilha dos mesmo pecados e tentações que nós sofremos diariamente, surgiu então o Anti-Herói. Este personagem, diferente do Herói grego, também compartilha de feitos dignos de serem chamados de Heroicos, porém, muitos de seus atos, se não todos eles, não são guiados por um senso maior de justiça e altruísmo, mas sim por vingança, ganância, orgulho, fama… ou seja, um Herói que ao invés de possuir o Agathós (Bom e justo), possui o Hybris (Violência, arrogância e tudo que destoe do correto). Dessa forma, podemos dizer que o Anti-Herói não pode ser considerado de fato um Herói, pois lhe falta em seu ser, o que torna um Herói aquilo que é, a virtude.

Quem-é-o-Justiceiro

O que nos leva aos dias atuais:

Atualmente, estamos passando por uma chamada “Era do Super-Herói” na cultura pop mundial, em todo tipo de mídia, as histórias sobre super-heróis dominam todas as plataformas, desde suas áreas de origem, Histórias em Quadrinhos (H.Q’s), até a grande indústria cinematográfica, que está cada vez mais se fortificando com essas histórias. O que me fez pensar, muitos dos ditos “Super-Heróis” mostrados nas telas de cinema, H.Q’s e Tv, não são de fato Heróis e sim Anti-Heróis, que por meio de suas arrogâncias, vaidades e objetivos egoístas, tomam ações que ajudam e beneficiam outras pessoas, rendendo-lhes assim, a alcunha de “Heróis”.

Tomando como exemplo, o universo Marvel e DC, atualmente seus personagens mais famosos e amados, são o Homem de Ferro (Tony Stark) e Batman (Bruce Wayne) respectivamente, ao analisar estes 2 personagens e suas origens, é fácil perceber que a natureza de suas ações heroicas, não proveem de um senso de justiça elevado ou puro altruísmo, mas sim, uma tentava de vingança por algo que lhes aconteceu no passado, o sequestro e cativeiro do Tony Stark e a morte dos pais de Bruce Wayne. Esses acontecimentos fizeram com que estas 2 pessoas criassem seus alter egos (Homem de Ferro e Batman), e por meio destes buscassem uma forma de justiça por algo vivido por eles no passado, Hybris.

Enquanto personagens como Capitão América e Superman, que possuem uma moral e senso de dever com a justiça, extremamente elevados, fiquem em segundo plano, Agathós.

 

 

É compreensível que os Anti-Heróis sejam mais populares e mais amados do que os reais Heróis, pois como já dito, os Heróis são o que são, por sua moralidade elevada e uma quase divindade de seus atos, superando sempre situações e pensamentos que os afastem da justiça, o que para nós humanos, é algo de difícil compreensão e principalmente identificação, por isso nos apegamos mais a figura do Anti-Herói, pois este  passa pelos mesmo dilemas morais cotidianos que nós passamos ou passaríamos se estivéssemos em sua posição, afinal, é muito mais fácil ceder a raiva e caçar o assassino de seus pais, do que o perdoar e entrega-lo as autoridades policiais.

Porém, personagens como Cap. América e Superman, por suas características heroicas, acabam muitas vezes sendo retratados como bobalhões, “O senhor certinho” ou “O Escoteiro”, o que é de certa forma horrível, pois tais ações, ridicularizam e tornam em ingenuidade, características extremamente raras e tão importantes, pois pessoas com esta visão, que se voluntaria para guerra, para proteger seu país, mesmo sem ter condições físicas para isso, ou alguém que decide se sacrificar para ser o grande Herói da Terra, o seu maior defensor, acabam sendo tiradas dos seus postos de verdadeiros Heróis, para pessoas ingênuas e não tão legais.

Porém, no Japão atualmente está em lançamento o mangá e anime Boku no Hero Academia (My Hero Academia), o qual trás consigo a contramão dos universos Marvel e DC, pois em sua história, o grande personagem, aquele que é admirado por todos os outros personagens, All Might, este é um real Herói, um símbolo da paz, como o mesmo se descreve, e a partir de sua figura de grandeza e justiça, outros personagens ficam inspirados em se tornarem reais Heróis, como o protagonista da história, Izuku Midoriya, o qual o vemos passo a passo a sua evolução de criança indefesa, ao que promete ser o maior Herói de seu mundo.

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E esta neste detalhe, o sucesso de Boku no Hero Academia, a história traz de volta o Herói em sua essência primordial, aquele que é o que é, por seu altruísmo e sacrifício para salvar e ajudar a todos os que possa, algo que a muito estava perdido e quase morto, pois da mesma forma em que os Anti-Heróis são mais “legais”, precisamos dos reais Heróis, pois estes são os que trazem consigo a inspiração para que os humanos falhos, não desistam de buscar o altruísmo puro e desinteressado, são reais Heróis, que criam os Heróis do futuro.

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