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Dimensão Contos – Relato da Criação[Parte 5]

PARTE 5

O Criador havia convertido todas as energias dos Celestes exterminados durante o meu ataque em Ivy Marãey em um único ser, o nomeando de Emanuel. Foi ele responsável por extinguir o poder roubado pelos casais de Rupave e Sypaves há milênios, e seria ele o meu adversário.

Emanuel, o Guerreiro de Luz, cruzou o céu do Mundo Vivo e foi acolhido no ventre de uma jovem escolhida pelo próprio Criador.

Durante seus 33 anos, o enviado da Ordem caminhou pela dimensão dos vivos. Embora com todos os meus esforços, aquele mortal não sucumbiu à minha influência. Restabeleceu os vínculos dos mortais com os Celestes e espalhou os conselhos do Criador. Ele me enfraquecia.

Logo, descobriu o esconderijo dos meus Angelos Apostaticos e os baniram para o Reino do Caos, eu estava sozinho.

Soprei nos ouvidos de homens e condenei Emanuel a morte, mas o sangue derramado do Guerreiro da Luz foi capaz de me enfraquecer. O seu sacrifício me expurgou do Mundo Vivo.

Despertei no Reino do Caos e mais uma vez Anhaú me recebeu, contava com minha volta aos domínios das Trevas.

— Graças as suas ações, Angelo Apostatico. Conseguimos milhares de almas em nosso reino, os demônios se alegram e se alimentam dos pecados sussurrados por vocês. Se tornam mais fortes e outros abissais são convertidos. Olhe para nossos territórios, cada vez mais nossos exércitos crescem – disse Anhaú.

— Eles têm um Guerreiro de Luz, Emanuel. Precisamos acabar com ele.

— Emanuel retornou para o Astral após sua morte terrena, mas ainda não podemos subir até as Ilhas Flutuantes para confrontá-lo. Do mesmo modo como ganhamos guerreiros, a Ordem também. Não precisamos de um empate e é isto que conseguiremos se atacarmos agora.

— O que sugere, Anhaú?

— Iremos esperar.

— Até quando? – bravejei. – Estive por muito tempo no Mundo Vivo, e sei que podemos vencer o Reino da Ordem. Apenas precisamos angariara mais almas, devemos agir agora.

— É impetuoso e um tanto imprudente. Confesso me surpreender ter esperado tanto para agir, mas como viu, ainda não era o momento. Acalme-se Angelo Apostatico. Como forma de gratidão e reconhecimento pelo seu trabalho até aqui, te darei algo para se distrair.

Anhaú apontou para Lilith, oferecendo sua própria esposa.

— Eu sei que o tempo que passou no Mundo Vivo conheceu os prazeres da carne, estou certo que se divertirá com Lilith.

Eu não disse mais nada e aceitei a oferta.

Tomei Lilith em meus braços e a levei aos meus aposentos. Porém, antes de me apossar do corpo da mulher abissal, percebi que em seu ventre havia um dos muitos filhos de Anhaú. Compreendi naquele momento que era isto o que me diferenciava do Criador e até mesmo da Sombra Primária; eu não tinha o dom da criação.

Tomado pela frustração, raiva e inveja, enterrei minha mão no ventre de Lilith e lancei o feto nas fendas do Reino do Caos. Fiz de Lilith minha esposa, e estava certo que Anhaú não poderia mais reinar, era fraco e negava-se a agir contra a Ordem.

Por dias, cuidei das feridas de Lilith e a devolvi o corpo que eu a lembrava, entretanto nunca consegui recuperar sua sanidade. Lilith parecia uma linda boneca de porcelana que ornava meus aposentos.

Não tardou para Anhaú reivindicar sua esposa, mas era fraco, eu passara tempo o suficiente no Mundo Vivo me alimentando dos pecados, e aprendi a sugar as almas dos corruptos encaminhados até o Reino do Caos.

Quando Anhaú abandonou seu trono e caminhou na direção dos meus aposentos para recuperar Lilith eu o surpreendi, sugando sua energia, unindo seu corpo ao meu, nos tornamos um ser único.

Eu me reapresentei ao Reino do Caos, eu era o novo soberano.

Reneguei o nome Heylel, como era conhecido entre os Celestes e pronunciei meu novo nome a todos os demônios e eles gritaram em uníssono.

“LEALDADE AO PROFANO! ”

Entretanto Anhaú persistia em atrapalhar o meu reinado, mesmo fazendo parte da minha existência. O que parecia impossível aconteceu, o feto do seu último filho havia sobrevivido e representava uma ameaça aos meus planos.

— É uma criatura formidável por conseguir sair quase ileso das fendas do Reino do Caos – disse a criatura deformada diante do meu trono.

— Eu sou o herdeiro do trono, Profano, subjugou o poder de Anhaú, mas eu ainda vivo.

— Não tiro a legitimidade da herança. Mas existem coisas que não sabe, feto abissal. – Eu precisava dele como alinhado. – De todas as proles geradas por Anhaú e Lilith, mesmo no ventre, você se mostrou a cria mais poderosa e só comprova isso ao sobreviver mesmo com a gestação incompleta.

— Por esse motivo deve me temer e entregar o trono antes que eu o tome a força.

— Não será necessário. Saiba que o próprio Anhaú extraiu você do ventre de sua mãe para que não ocupe o trono – menti – Somos seres eternos e Anhaú sabia que você poderia destruí-lo quando estivesse completo.

— E por qual motivo me revela isso?

— Oras, preciso de você como meu príncipe. – Eu poderia acabar com aquele ser com apenas um pensamento, mas algo próximo a compaixão me impedia, talvez fosse a presença de Anhaú em meu âmago, todavia não poderia me preocupar com o feto abissal naquele momento, eu tinha outros planos à mente. – Eu te prometo que será completo e terá o seu reino, utilizaremos uma alma humana ainda viva para completar sua gestação.

— Não tente me iludir, Profano. Não tem tanto poder.

— Profecias, pequeno, profecias. Esquece que eu fui o Portador da Luz, o Guia para os Celestes e que tudo na Criação foi criado aos pares. Emanuel é o Guerreiro da Luz e nós não temos o nosso guerreiro das trevas. Minhas palavras possuem força descomunal, e meus decretos agem como Leis no Universo.

— Se é tão poderoso, por que o Reino do Caos ainda existe?

— Pois o Criador existe. Somos, hoje, equivalentes em força. Mas não por muito tempo. Agora, feto abissal, podemos perder mais tempo conversando, ou você pode aceitar a minha promessa e se unir a mim. Estou te oferecendo algo que o seu próprio pai, Anhaú, te negou.

O feto ficou em silêncio, parecia analisar as escolhas. Talvez, tenha acreditado na “crueldade” do seu próprio progenitor.

— Cumpra a tua parte, Profano, e eu estarei ao seu lado.

— É bem-vindo ao nosso reino, Aangara.

 

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