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Cloverfield Paradox e a Importância da Decepção

Produzido pela Bad Robot e que, anteriormente, deveria ser distribuído pela Paramount nos cinemas, The Cloverfield Paradox chegou de surpresa na Netflix pouco tempo depois de ter seu primeiro trailer divulgado na internet. O lançamento foi uma total surpresa para os fãs que já sabiam que um novo filme da franquia estava em produção, mas não esperavam que o lançamento fosse literalmente da noite para o dia em uma plataforma de streaming.

A entrada do novo filme da franquia Cloverfield no catálogo da Netflix veio após o fim das gravações e a previsão da Paramount e Bad Robot de que o filme daria prejuízo se lançado nos cinemas, por ter custado cerca de 45 Milhões de dólares e as previsões mostravam que o filme não arrecadaria, nem sequer, esta mesma quantia. Então, a Netflix, a fim de possuir uma estreia de um filme aguardado, comprou os direitos de distribuição do filme da Paramount por 50 Milhões de dólares, o que foi um ótimo acordo para a Paramount e Netflix.

Estação Cloverfield em Cloverfield Paradox.jpg

Em um futuro próximo, a terra está passando pela pior crise energética na história da humanidade. Todos os recursos estão prestes a se esgotar, o que faz com que as nações esqueçam suas diferenças e iniciem um projeto para a produção de energia limpa e ilimitada para todo o planeta. Em conjunto, as nações constroem o maior acelerador de partículas já criado, o Shepard, porém os riscos de sua utilização são enormes, o que criou a necessidade de leva-lo ao espaço e fazer sua ativação a bordo da estação espacial Cloverfield.

Após centenas de tentavas falhas, o acelerador de partículas Shepard e a tripulação da estação espacial, permanecem no espaço por mais de 3 anos, tentando alcançar o total funcionamento do Shepard, antes que se inicie uma guerra na Terra por recursos energéticos. Até que o acelerador funciona 100% e um surto de energia se espalha por toda a estação, dando, de fato, início ao filme.

Capa de Rua Cloverfield 10.jpg

Durante a ativação em 100% do Shepard, o personagem brasileiro Monk (John Ortiz) está assistindo, na TV, uma entrevista do autor do livro “Cloverfield Paradox”, que está alertando sobre o perigo da ativação do Shepard, que, segundo o autor, “A cada vez que o Shepard é ativado, existe um grande risco de rasgar o tecido do tempo e espaço, fundindo dimensões e liberando criaturas, demônios e monstros marinhos sobre a Terra”. Uma curiosidade é que o autor Mark Stambler (Donal Logue) possui o mesmo sobrenome que o Howard Stambler (John Goodman), o dono do Bunker e um dos principais personagens de Rua Cloverfield 10, o que pode indicar que eles sejam irmãos.

Desta forma, pode-se dizer que esta pequeníssima parte do filme já explicou todos os acontecimentos dos dois filmes anteriores da franquia Cloverfield, o Cloverfield Monstro (2008) e Rua Cloverfield 10 (2016). Após a ativação do acelerador, os personagens se encontram desnorteados perante suas localizações no espaço, várias coisas “desaparecem”, o que mais a frente, descobrem que apenas mudaram de lugar após o entrelinhamento da nova dimensão à qual a estação foi transportada.

O grande e especial aspecto da ficção cientifica sempre foi a lógica dos filmes. Sempre é estabelecida uma lógica a qual é seguida e então coisas absurdas podem ser aceitas mais facilmente pelos espectadores, por ser dado uma explicação para o porquê de que tal coisa seja possível de acontecer. Porém, em uma parte do filme, a lógica cientifica é quase que jogada fora, após acontecimentos absurdos que beiram o sobrenatural, como expressado pelo físico da estação Schmidt (Daniel Brühl), “Eu não sei mais as regras”.

Ao prestar bem atenção, cada vez que um personagem descobre como consertar a estação Cloverfield e assim poder voltar para a sua dimensão original, este personagem é envolvido em um acidente e ocasionalmente morto, o que não é algo muito diferente de outros filmes de suspense espacial como O enigma do horizonte, porém seu diferencial absurdo é a impressão de que a estação espacial está viva, ou de que existe uma força sobrenatural controlando todos os personagens ali. Como podemos ver, quando a estação simplesmente “engole” e desmembra o braço do personagem Mundy (Chris O’Dowd), e após isso, o braço decepado de Mundy reaparece “andando” pela estação e parece não depender de um corpo para se manter “vivo” ou parece ter consciência própria, já que possui informações de que nem o próprio Mundy possuía.

Ao analisar os personagens melhor, percebesse que a única da qual possuiu um enredo fechado e bem decidido, foi a protagonista Hamilton (Gugu Mbatha-Raw), ao qual coube decisões importantes sobre questões que despertam o interesse do público em questões de viagens dimensionais. A maior das questões creio eu, ela possuiu o direito de escolha entre voltar a sua dimensão original onde seus filhos haviam falecido, ou permanecer nesta realidade onde seus filhos ainda estavam vivos, porém abandonar seus amigos e causar consequências a sua dimensão original.

Protagonista Cloverfield Paradox.jpg

No mais, todos os personagens possuem tramas bem rasas ou até inexistentes como o Mundy e Monk. Já outros, possuem enredos tão preguiçosamente escritos, que apenas com alguns minutos já fica obvio o futuro destes personagens, como por exemplo: Volkov (Aksel Hennie), que já no início, percebesse que será o elo fraco da corrente, que enlouquecerá com a situação e irá perder o controle de tudo ao seu redor, ou a personagem Mina Jensen (Elizabeth Debicki), que já percebemos que será a antagonista desde sua primeira aparição na estação espacial, após a ativação do Shepard, o que ocasiona a viagem dimensional.

No fim das contas, The Cloverfield Paradox foi um importantíssimo filme para a história geral desta franquia, mas não foi capaz de recriar todo o suspense, paranoia e mistério contido no Rua Cloverfield 10, tão pouco recriar a imersão e grandeza de cenas no Cloverfield Monstro. Sendo assim, Cloverfield Paradox foi o pior dos três filmes desta maravilhosa franquia conhecida pela criatividade e mistério, basicamente sendo criado, pela única e total desculpa de dar respostas aos mistérios principais da franquia: “De onde veio o monstro do primeiro filme?”, “Eram extraterrestres, aquelas criaturas no segundo filme? “Como o segundo filme se conecta com o primeiro?”. Agora possuímos respostas para estes questionamentos, porém, ganhamos um filme que não merecia possuir estas repostas.


E essa foi a matéria sobre o super filme da Netflix, Cloverfield Paradox. Concorda com as impressões de Matheus Grangeiro? Comenta aí!

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