Cinema, Críticas, Sem categoria

Supervalorização em The Shape of Water

The Shape of Water, novo filme do diretor mexicano Guillermo Del Toro, foi o vencedor do Festival de Veneza 2017. Este foi um filme já planejado por Del Toro, já que, em entrevistas anteriores, o diretor afirmou que “gostaria de fazer um filme onde a criatura ficasse com a mocinha”, o que acontece aqui, além de que sua marca registrada em Hollywood é contar histórias ou recriar fábulas sobre monstros e criaturas.

O filme é ambientado na década de 1960, no auge da Guerra Fria, onde a protagonista Eliza Espósito (Sally Hawkins) é uma faxineira muda, que trabalha em uma base militar secreta dos Estados Unidos para onde foi levada uma criatura humanoide encontrada na América do Sul para ser estudada pelo Doutor Bob Hoffstetler (Michael Stuhlbarg), a fim de utilizar a criatura como cobaia para enviá-la ao espaço e assim ganhar vantagem na corrida espacial contra a União Soviética, que neste ponto já enviou um humano para fora do planeta (Yuri Gagarin).

Eliza e Zelda.jpg

O complexo militar é de responsabilidade do agente Strickland (Michael Shannon), responsável por toda a segurança da base após a chegada da criatura. Ele foi um ótimo representante para a figura do ser humano pressionado e ao limite de suas condições. Como “voz de Eliza”, estava Zelda (Octavia Spencer), sua amiga, também faxineira, que traduzia os sinais de Eliza e os comunicava a quem não entendia a linguagem de sinais.

Agente Strickland.jpg

Além de Eliza ter uma quase relação de pai e filha com seu vizinho Giles (Richard Jenkins), o qual está tentando uma segunda chance profissional como pintor e é um admirador da arte, o que se nota pelo apartamento repleto de quadros e por ele sem estar assistindo espetáculos de dança e música na TV, como Carmen Miranda.

A beleza do roteiro de The Shape of Water, consiste nas histórias individuais de cada um dos personagens citados. Aqui, todos possuem uma subtrama com pontos totalmente distintos uns dos outros que vão desde o preconceito que sofrem pelo que são até a pressão sofrida pela grande cobrança de resultados no trabalho, o que afeta e distorce as relações familiares.

É inegável que o roteiro possui pontos que podem não passar desapercebidos, como o fascínio de imediato da Eliza pela criatura, em vez de um choque ao vê-la pela primeira vez. Ou até mesmo a facilidade que ela tem de entrar no laboratório onde está a criatura e permanecer lá, tendo contato com ele por bastante tempo, sem ser, de fato, descoberta.

Não pude deixar de ficar incomodado com o fato de que em uma história que se passa durante a Guerra Fria, com um ser extremamente diferente e avanços tecnológicos em jogo, além da grande tensão que se apresenta durante o filme em relação a divulgação da descoberta da criatura, parecia que os personagens não se incomodavam em estar diante de algo tão fenomenal quanto aquela criatura e possuíam uma base militar com uma segurança interna tão frouxa a ponto de faxineiras poderem transitar por onde desejassem sem serem questionadas ou de não serem capazes de identificar um agente duplo Soviético dentro da base militar.

Quanto aos atores em domínio de seus papeis, Michael Shannon e Sally Hawkins, agente Strickland e Eliza Esposito respectivamente, deram um senhor show de atuação. Ambos personagens foram, de longe, o grande foco e beleza do filme. Suas relações foram bem trabalhadas entre si e com outros personagens, arrisco dizer que na pele de Eliza, Sally Shannon teve sua melhor performance em frente às câmeras, superando até mesmo seu papel em Blue Jasmine, o qual lhe rendeu uma indicação ao Oscar, em 2013.

Em contextos gerais, The Shape of Water foi um bom filme, merecedor de estar nas indicações do Oscar, porém, 13 indicações já me fazem olha-lo diferente. Sua fotografia, roteiro e demais configurações técnicas são maravilhosas, mas ao comparar com filmes concorrentes como Dunkirk, The Post e Get Out (corra), me faz pensar que The Shape of Water talvez não merecesse tantas indicações, não desmerecendo seu brilhantismo, mas ao comparar com as demais obras concorrentes, minha visão é de que esta obra, seria apenas “um planeta circulando estrelas muito maiores”. Afinal, o ano de 2017 foi um ano maravilhoso para os grandes filmes em Hollywood, merecedores do título de “New Classics”, assim como este que trato, porém, não na mesma proporção e tamanho comparado aos outros filmes lançados no mesmo ano.


Pois bem, queridos! Concordam com a polêmica opinião do nosso redator Matheus Grangeiro? Esta é a hora de você comentar!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s