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O que torna “The End of The F***ing World” tão especial?

Não é aconselhável a um site criticar uma série semanas depois do seu término. A essa altura, quase todos os veículos de cultura Pop do mundo já falaram sobre The End of The F***ing World, entretanto eu acredito que algumas obras merecem atenção especial e, por isso, não me importo com QUANDO vou falar sobre a tal obra, mas COMO irei falar dela.

Desde The OA e Glitch, eu tenho prestado atenção especial à produções originais da Netflix que chegam sem fazer alarde. The End of The F***ing World é uma dessas. A série chegou quietinha, sem barulhos, mas mostrou que é do tipo que transcende qualquer Hype.

THE END OF THE FUCKING WORLD

A série britânica é produto da Channel 4, aquela mesma responsável pelas duas belas primeiras temporadas de Black Mirror. Ela adapta as HQ’s homônimas de Charles S Forsman, narrando a saga de dois adolescentes problemáticos que decidem apertar o botão do “dane-se” e viver uma aventura muito louca!

Pra quem viu o trailer, imaginava que o show trataria de um garoto psicopata em busca de seu primeiro assassinato. Bom, essa premissa já seria boa o suficiente pra prender a atenção do público, mas o mais legal disso tudo é que a única intenção dela é prender a atenção do público para algo muito maior e mais profundo do que isso.

O “psicopata” em questão é James, vivido perfeitamente bem por Alex Lawther – O Jogo da Imitação -. O garoto apático tem 17 anos e plena convicção de que é um psicopata, então ele conhece Alyssa – Jessica Barden – e, de cara, a elege como sua primeira vítima. A jovem, que sofre de um sério transtorno de personalidade, enxerga em James uma chance de se livrar de uma vida deprimente e é aí, com intenções iniciais completamente diferentes, que os dois iniciam uma saga regada a roubos, invasões e destruição.

theende4

Um dos pontos mais interessantes em The End of The F***ing World é a metamorfose sofrida pela dupla de protagonistas, o que era de se esperar, levando em consideração que se trata de dois adolescentes e a adolescência é, sem dúvida, a fase na qual nossa visão de mundo é mais modificada. Mas o genial disso tudo é que a série, em si, acompanha essa metamorfose. De cara, você espera uma trama escrachada, a julgar pelo trailer e, também, pelo gênero – Humor Negro -, mas com o seu desenrolar, ela se revela muito mais do que isso. The End of The F***ing World não é uma série sobre assassinato, roubos e loucuras, mas sobre mudança, dificuldades em lidar com problemas reais e, sobretudo, o amor em si. Eu diria até que ela é uma versão adulta do filme ‘O Primeiro Amor”, de 2011.

Falando em “O Primeiro Amor”, do diretor Rob Reiner, a série da Netflix, em alguns momentos, traz um recurso muito utilizado no longa em questão. O recurso do qual estou falando é apresentar a mesma história por dois ou mais pontos de vista. Algumas cenas em The End of The F***ing World se repetem na visão dos personagens principais, o que é simples e genial, considerando que, assim, é possível ao público ter um entendimento mais amplo do que está acontecendo, além de criar uma empatia maior com os personagens.

Outro ponto interessante é a construção dos personagens centrais, feita com maestria. Inicialmente, foca-se apenas em dois ou três aspectos da personalidade de cada um, causando uma certa estranheza por parte do público. Porém, com o passar dos episódios e o desenrolar da relação entre James e Alyssa, um começa a refletir novos aspectos da personalidade do outro, revelando que aquela estranheza inicial era apenas uma carapaça que escondia o quanto nós somos semelhantes a eles.

THE END OF THE FUCKING WORLD

“Ela me fez sentir coisas e eu não gostei”.

Eu disse anteriormente que The End of The F***ing World é, sobretudo, uma série sobre o AMOR em si e isso fica evidenciado na frase acima. A convivência com a Alyssa esmiuçou, pouco a pouco, a apatia do James. O garoto, que nunca havia sentido nada na vida, se viu apaixonado por aquela que ele planejava matar. A faca que tiraria sua vida acabou salvando-a e o caos no qual os dois estavam metidos parecia, ironicamente, arrumar a bagunça que eram suas vidas.

Eu preciso salientar, por fim, que o seriado é visualmente belíssimo. Você percebe uma paleta de cores um tanto quanto viva, disfarçando, mas não completamente, o tom dramático da série e realçando seu aspecto divertido.

The End of The F***ing World é, portanto, uma série meta-morfa sobre metamorfose. Como ela tem apenas 8 episódios de, em média, 20 minutos cada, é possível maratona-la em um dia. Eu garanto a vocês boas risadas, algumas pitadas de emoção e muita reflexão. Aproveitem!

Nota: 9,0 Estrelas.


E essa foi a crítica do nosso redator Paulin Silva sobre The End of The F***ing World. Concorda? Discorda? Esse é o momento de você se manifestar! Comente o que achou e interaja conosco. Até mais.

 

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