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O Que é o CyberPunk?

A Ficção Científica é um gênero bem conhecido e apreciado no meio artístico, tanto na literatura quanto no cinema. Sua visão futurista e as críticas sociais sobre o relacionamento da humanidade com a tecnologia e seus avanços fizeram com que ela se tornasse um gênero amado por milhões de pessoas.

Na década de 1980, uma subcategoria se originou da Ficção Científica dando um novo ar para o gênero, que já estava sendo bastante utilizado por produções como Star Trek(1966) e Star Wars Episódio IV (1977). O CyberPunk se originou em 1980, criado por Gardner Dozois, um editor da revista Science Fiction, que criou este nome a partir de “Cyber” (cibernética) + “Punk” (que pode ser entendido como “exagero”), mas o termo só se popularizou, realmente, após o lançamento do primeiro livro CyberPunk, de William Gibson, “Neuromancer”, o primeiro de uma trilogia seguida de Count-Zero e Mona Liza Overdrive.

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Com a publicação de seu livro, William Gibson criou uma nova corrente na Ficção Científica, moldando “regras” para serem seguidas na construção de uma história CyberPunk. Para a construção de uma destas histórias, alguns itens são necessários na trama.

Características das histórias Cyber Punk:

O CyberPunk se caracteriza, principalmente, pela formação da sociedade em seu mundo, geralmente retratado pelo nosso próprio planeta Terra com uma alta tecnologia e maquinário futurista, mas não muito distante do nosso tempo atual e com uma baixíssima qualidade de vida (“High tec, Low life”). Descrito como um lugar onde as pessoas preferem viver mais em um espaço virtual do que na própria realidade, onde drogas, poluição, corrupção, Inteligências Artificiais (I.A) e implantes físicos para melhoramento das capacidades humanas são coisas comuns no dia-a-dia nos centros urbanos.

Muitos dos cenários deste subgênero são cidades completamente urbanizadas artificialmente, escuras e pessimistas. O céu sobre o porto tinha cor de televisão num canal fora do ar, como descrito por Gibson em Neuromancer. As cidades sempre são descritas como sujas e com a presença de todo tipo de poluição (sonora, visual…), como em uma cidade que expandiu sem o menor planejamento. Segundo o diretor Ridley Scott, que imaginou uma Los Angeles cyberpunk para o filme Blade Runner, como “Hong Kong num dia bem ruim“.

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É comum que em histórias de Ficção Científica os personagens estejam em uma luta contra governos totalitários, como em Admirável Mundo novo (Aldous Huxley) ou os Rebeldes contra o Império em Star Wars. Mas nesse subgênero, muitas vezes o governo já está inoperante, e quem toma o seu lugar são as gigantescas corporações empresariais que dominam a partir de computadores todo o cotidiano da população.

Características dos personagens CyberPunks:

Como nas demais histórias, aqui também há um embate entre os excluídos da sociedade e seus opressores – no caso, as grandes empresas -, tendo geralmente como protagonistas pessoas à margem da sociedade – criminosos, párias da sociedade, hackers ou “cowboys”, como descrito por Gibson -. O ponto de diferenciação é que neste estilo o foco é sobre criminosos e não sobre algum herói, como em grande parte da Ficção Científica.

Aqui, dificilmente os personagens seguirão o “Caminho do herói” de Campbell, já que muitas das histórias colocam os personagens com poucas, ou nenhuma, escolha sobre seu futuro, o forçando a fazer o que lhe é mandado, ou quando entram em algum projeto por conta própria, sempre é visando uma retribuição futura, nada de planos para salvar o mundo ou ajudar pessoas necessitadas, já que os protagonistas aparentam ser bastante egoístas e auto preservadores.

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Influência e obras do CyberPunk:

O livro “Neuromancer”, de William Gibson, serviu de inspiração para a criação de filmes como Blade Runner, do diretor Ridley Scott – que tirou o discurso de convivência de humanos, robôs e I.A do livro de Gibson e transformou-o em um grande sucesso do cinema -. Assim, também, como a trilogia de filmes Matrix, dirigida pelos irmãos Wachowski, de onde obtiveram a inspiração de criar o personagem “Neo”, um hacker que vivia dentro de um cyber espaço, chamado de “Matrix” (termo criado pelo William Gibson em Neuromancer), até conseguir sua liberdade.

O CyberPunk também aparece em jogos, como a trilogia Bioshock e Deus Ex, onde o tema é presente o tempo todo, ajudando, assim, sua expansão para uma nova plataforma, dando mais espaço para que histórias incríveis, como as presentes nesses jogos, ganhem mais espaço no mundo.

As raízes deste gênero também se estenderam ao Japão, onde grandes obras como Akira de Katsuhiro Otomo e Ghost in the shell de Masamune Shirow foram criadas e tomaram o mundo como obras primas.

O CyberPunk ainda possui derivações de seu subgênero, como o steampunk, biopunk, stonepunk, entre outros que serão explicados em matérias exclusivas no futuro.

Por ser um subgênero bastante pessimista sobre o futuro, fazendo críticas constantes à interação da humanidade com a tecnologia e a forma com que nos comportamos diante dela, o CyberPunk é pouco utilizado, graças a sua complexidade em histórias e temas bastante pesados, dificilmente podendo ser feito para menores de idade, por tentar mostrar uma vida decadente e marginalizada para com seus personagens. Porém, o CyberPunk é a nossa constante lembrança de que estas histórias não estão muito distantes da nossa realidade atual. Conforme a tecnologia avança, nós humanos comumente nos entregamos cada vez mais, ignorando as capacidades do nosso corpo, para continuarmos conectados à nossa própria Matrix, a qual chamamos de internet.


E esse foi nosso segundo artigo, escrito pelo redator Matheus Grangeiro. Matheus trouxe um apanhado geral do que é o subgênero CyberPunk e, mais a frente, mergulhará ainda mais nesse universo, que é vasto e, ainda, pouco conhecido.

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